quinta-feira, 5 de junho de 2008

NO SILÊNCIO DA NOITE


Noér

“Existe no silêncio tão profunda sabedoria,
que às vezes ele se transforma na
mais perfeita resposta.“

(Fernando Pessoa)


É sempre no silêncio da noite que ouço
O ruído surdo do próprio silêncio que calo
Agora, penso que calas e em sua metade vulcão

E de ficar tão calado me abafo e fico rouco
E sinto doer o peito frágil no que não falo
Mas penso e ardo de desejo no fundo do coração

Penso e vôos e planos. Em revés e controvérsias
Saúdo a mente com whisky e a alma com o bom vinho
Me prendo ao violão e ouço o ruído das águas tenebrosas

Penso em tirar-lhe os panos. Em te despir nas falésias
Saúdo a mente com a foto. Que em prêto e branco é alinho
Me prendo então a visão. E ouço tua risada, sair da boca, gostosa

Me viro e tento dormir, ouvindo um MP3
Reviro e finjo dormir, ouvindo Piaf em francês
Quando em fim desfaleço por volta das duas ou três

Já não importam as horas, já não importa mais nada
Apenas o dia nascer, para de novo saber, como está minha amada

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