Noer
AMAR E SER AMADO
(Castro Alves)
Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano
Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?
(Castro Alves)
Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano
Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?
VELHA CANÇÃO
(Menotti Del Picchia)
Não penses que não te espero
na aparente indiferença.
Essa fingida descrença
só disfarça desespero.
Se a falsa máscara fria
pudesse quebrar essa ânsia
saberias que a constância
é meu pão de cada dia.
Um pudor duro e severo
esperar desesperado
é o que nutre este pecado
de querer como eu te quero.
Destarte - tímido louco-
não ouso sondar tua alma
e nessa sofrida calma
dia a dia morro um pouco.

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FLUÍDOS DA NOITE
Nesse jardim vi teus jasmins
Pelos vitrais do vizir
Querubins e esplendor
Não vá partir, mostra pra mim
Os teus ardis, tão sutis
Teus fluídos de amor
Luzes velozes, toques lascivos
Trilhos na chuva, poça em desnível
Mão que desliza sob o vestido
Pr’úmido ponto do teu sentido
Tenho “inda” tanto pra te contar
Chove tão frio na minha vida
A noite chora, é noite em mim
Noite vazia, cor de carmim
Curvas precisas, fruto proibido
Pêlos macios, língua no ouvido
Mão que desliza pro teu libido
Luzes tão frias, brandos fluídos
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CORPO
Quem explicaria?
O filho de Frigia,
Um protegido de Creso?
Quem compreenderia
Tal obra da Grécia
O disposto a sacrilégios
Seria de Delfos, um real Homero?
Não, não é um conto de Esopo
Esse que deita em outro
Que o esconde com denodo
Que o abafa como um fogo.
É sem esforço, dó ou arrojo
Com o vigor que vem do lobo
Se projeta esse teu corpo afoito
Porque tão envolto
Embora leve e solto
O que tão belo é?
Ah! Que visceral arroubo
Porque esse tamanho esforço
Que nos esconde a mulher?
Êxtase para entretenimento
Que bela nababia de Gento
O luxo que não freqüento
Mas que bem sei quem é...
O que nos deixa louco
É saber que esse corpo
De nós não se da fé.
Na tresloucada lucidez
O despimos para que a nudez
Nos fale do que é feito
Esse corpo que tem suas leis
E que leve como a timidez
Nos mantém longe do leito
Tão longe desse tenro peito
Peito que é causa e efeito
Do desejo que ora enfeito
Lutando pra ser cortês.

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